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19/04/2026

Cheiro de Melancia e Saudade

Depois do empurra-empurra habitual, consegui um assento vago no coletivo. Uma senhora, aparentemente mal-humorada, sentou ao meu lado. 
Nada mal, eu também estava mal-humorado. E dois mal-humorados não costumam se dar muito bem. Pela janela, as ruas escorriam: carros apressados, buzinas, gente afundada nos próprios celulares. 
Eu pensava no que tinha feito, no que poderia ter feito… e no peso de um dia longo, sem nada que prestasse de verdade. 
Então veio o toque no ombro. 
Leve. Perfumado. 
Aquele cheiro suave de melancia que, por um tempo, fez parte dos meus dias. 
Virei o rosto e sorri. 
Era ela. 
A menina miúda. A cabritinha que tanto me fez feliz. 
Estava ali, ao meu lado, com um abraço cheio de calor e verdade. 
É fácil reconhecer um abraço verdadeiro.
E aquele era. 
A saudade vinha junto, no cheiro, no aperto, no silêncio entre uma palavra e outra. 
Eu não esperava por aquilo. Por aquele encontro. 
Ficamos ali, de mãos dadas, conversando baixo, trocando abraços como quem tenta segurar o tempo. Por alguns minutos, revi muita coisa boa. 
Senti falta. Das conversas. Do pão torrado levado até o sofá. 
Das risadas até das minhas piadas sem graça. 
E até de quando eu reclamava de qualquer bobagem da internet só pra ouvir ela rir. 
A parada chegou. 
Ela precisava descer. 
Antes, me deu mais um abraço longo, apertado, desses que dizem mais do que qualquer palavra. 
Disse que me amava. 
Eu disse que a amava. 
Fiquei olhando enquanto ela caminhava pela rua, seguindo a própria vida. 
E eu aqui, esperando… 
a chance de encontrá-la de novo, 
em algum outro dia.


17/04/2026

Nota sobre meu editor de textos

Criei um editor de textos independente, sem firulas, sem ícones fofos 
e sem um Clip saltitante na tela sempre que tenho uma dúvida 
(os dinossauros da informática sabem do que falo), 
e quem não sabe, que pesquise no Google. 

Ele me atende bem, sabe do que preciso, 
sabe que não quero distrações 
e nenhuma notificação. 
apenas escrever. 

Se adaptou bem ao meu equipamento de escrita, 
m velho netbook obsoleto como eu 
Tive que aumentar as letras do sistema 
porque já não enxergo como há 20 anos atrás 
e meu óculus já está hà 5 anos atrasado em seu upgrade. 

Sempre que o chamo, ele me pergunta: 
" O que temos pra hoje meu velho?" 
E o box fica alí, aberto, em branco, com o cursor piscando, 
impaciente, feito vendedor de lojas de R$1,99 esperando o freguês decidir 
qual pote de plástico levar. 

Hoje ele ficou alí, duas horas com o maldito cursor piscando 
esperando a entrada dos caracteres pra suprir seu ego. 
Muita coisa na minha cabeça 
mas nada chegava na tela. 

Decido escrever. 
Escrevo sobre ele, o meu editor 
aquele que me questiona, 
que quer saber o que há, 
que não tem o clip saltitante. 
que se adaptou ao meu equipamento obsoleto 

Satisfeito seu filho da puta?


12/04/2026

Nada em um domingo qualquer

Relendo meus textos, percebi que fico muito tempo sem escrever coisa alguma. 
Tem épocas que consigo escrever, ou melhor, as coisas simplesmente saem da cabeça
e vêm pra tela do computador.
Às vezes, penso que é por causa da minha vida:
não tem absolutamente nada de interessante.
Nada que faça alguém querer ler.
Ou talvez
eu só seja rabugento demais
e ache tudo uma merda.

A tela insiste em ficar em branco.
Penso um monte de coisas
e nada acontece.
Ela fica me olhando como se dissesse:
“Você é um idiota que não sabe o que escrever.”
Só a minha sogra me chama de idiota.
E eu respeito.
Aceito.
Agora, uma tela de computador?
Aí já é o fim da picada, né?

A lâmpada do meu quarto estava ruim.
Troquei por outra.
Ficou a mesma porcaria.
Provavelmente, nem pra comprar uma lâmpada decente eu sirvo.
Lembrei da minha sogra.
Da frase dela:
“Como alguém pode ser feliz
se até a lâmpada do quarto não presta?”

A cerveja que abri meia hora atrás estava na estante, me olhando.
Já não estava mais gelada.
Bebi assim mesmo.
Não vou jogar fora três reais e noventa e oito centavos.

Dolores subiu na cama.
Levantou a pata traseira, como se estivesse fazendo yoga,
e começou a lamber a bunda.
Acendi um cigarro e fiquei assistindo.
Três ou quatro lambidas.
Uma pausa olhando pro nada.
Depois voltava.
Trabalho sério.
Com a bunda devidamente limpa,
deitou
e dormiu.
Amanhã, às cinco da manhã,
ela me acorda pra comer.

Vejo uma notificação no telefone.
Duas horas atrás.
A Defesa Civil alertava sobre chuva forte.
A chuva não veio.
Pelo visto, até ela anda
sem saco pra fazer alguma coisa.

E, no fim das contas,
olha só,
a tela não ficou
em branco

08/03/2026

O urubú voa, a gata dorme, eu continuo aqui

A tela do editor insiste em ficar em branco.

Pensei em escrever alguma coisa, mas nada sai.

Às vezes, ou talvez sempre, é difícil colocar no papel aquilo que passa pela cabeça.
Pela janela, observo um urubú voando em círculos num céu levemente nublado.
Fico imaginando o que ele pensa. Será que pensa alguma coisa?
Ou também fica entediado, como eu neste final de domingo?

Dolores acordou.
Se esfregou na minha perna e foi direto para a caixa de areia fazer o que precisava.
Depois dos afazeres fisiológicos, voltou, subiu na poltrona e dormiu.
Não sei se a vida de gato é simples demais ou apenas monótona.
Talvez nunca saibamos.
Gatos são criaturas cheias de enigmas.

Queria ter a facilidade que muita gente tem de escrever exatamente o que sente.
Mas cheguei à conclusão de que, na minha cabeça, as coisas são mais claras.
Quando tento passá-las para o papel, elas se misturam.

Ouço o carro da pamonha passando na avenida ao lado.
Como sempre, ele já vendeu quase tudo.
Só faltam 400 pamonhas.
É uma boa estratégia de vendas: sempre dizer que está acabando.

Olho novamente pela janela e vejo que o urubú desistiu de voar em círculos.
Na poltrona, Dolores dorme de barriga para cima.
No player, The Cure toca Pictures of You.
E eu continuo aqui, sentado na cadeira, tentando escrever alguma coisa.

No fim das contas, talvez escrever seja exatamente isso:
ficar olhando a vida passar pela janela
até que alguma frase resolva pousar.


01/01/2026

Enquanto o mundo explode em fogos lá fora, eu fico aqui dentro, ouvindo Ocean Rain e fingindo que o tempo não está recomeçando

Lá fora, os fogos estouram por todos os lados.
Fico aqui, encostado na janela, observando os clarões enquanto Echo & The Bunnymen gira no player.
Ocean Rain é um disco grande, desses que combinam com silêncio, pensamento solto e uma certa melancolia bem aceita.
Descobri uma versão alternativa de The Killing Moon que eu não conhecia.
Funciona perfeitamente como trilha sonora pra beber uma cerveja sem pressa, deixando o tempo passar.

O ano novo começou.
Nada de épico: é só mais um dia. Um novo dia.
Mas, gostando ou não, tudo recomeça.
Absolutamente tudo.


Enquanto eles cantam We Are the Champions, eu bebo outra cerveja e espero que as luzes de Natal queimem

Os vizinhos estão com visitas. A noite deles parece animada demais.
Uma mulher ri igual à hiena do Rei Leão, enquanto um sujeito berra We Are the Champions no karaokê.
Freddie Mercury deve estar se revirando no túmulo, de puro pavor.
Não condeno os vizinhos. Eles têm todo o direito de fazer a virada do jeito que quiserem.
Eu é que sou ranzinza mesmo.

The Killing Moon, do Echo & The Bunnymen, toca no meu computador e eu lembro do Buenas.
Li o último livro dele, Tracks, e já saí com uma lista nova de artistas pra conhecer.
Essa é a vantagem de ler alguém que gosta de música e sabe escrever.
Tenho os três livros devidamente autografados. E isso, por algum motivo, me deixa genuinamente feliz.
Um dia, quem sabe, publico minhas coisas também.
Mas é só um quem sabe.
Um desses que a gente guarda sem muita fé, pra não estragar.

A visita da vizinha continua rindo feito hiena.
E eu abro outra cerveja.
Fico deitado, ouvindo música, olhando pela janela, torcendo pra que as luzes de Natal entrem em curto-circuito e queimem de vez.

Happy New Year.

O Mundo estoura em fogos e eu continuo tentando escrever alguma Coisa

Minha mente às vezes funciona como uma máquina defeituosa de pensamentos. Conflitos comigo mesmo, problemas banais do dia a dia, ideias que eu queria deixar registradas e talvez, quem sabe pra alguém, um dia, tropeçar nesses escritos e se interessar.
Mas a tela do editor continua ali, aberta, me encarando como quem pergunta: e aí, vai escrever essa merda ou não?

Na janela, minha gata está estirada, de barriga cheia, observando as senhorinhas conversando lá embaixo. As resoluções delas parecem as mesmas de sempre: cuidar da vida alheia enquanto as próprias seguem vazias.

As luzes de Natal insistem em refletir no vidro. Por que não desligam essa merda? Natal já passou e ninguém liga pra elas. Muito menos eu.
Sinto que a noite vai ser longa. Ainda tem os malditos fogos e essa insônia que resolveu me acompanhar nos últimos dias.
Gosto de ficar sozinho, nunca tive problema com isso. Mas em certas épocas do ano, preferia não estar.
A mente não para. Os pensamentos aparecem sem pedir licença e ficam cutucando. Não estou deprimido, só irritado por não conseguir colocar essa merda no papel.
Às vezes me pergunto como Bukowski conseguia. Com aquela vida toda torta e ainda assim botava tudo pra fora, sem pedir desculpa.

A tela segue em branco enquanto As The World Falls Down, do David Bowie, toca no player.
Ele canta algo sobre amar alguém mesmo sabendo que tudo pode ir pro ralo e, ainda assim, insistir.
Queria ter conhecido Bowie. O cara era foda. Um dia ainda escrevo como ele. Mesmo que ninguém leia.
A tela continua me olhando.

Minha gata cansou das velhas e foi dormir na cama.
As luzes não vão sumir da janela. Os fogos já começaram.
Vou pegar outra cerveja e deixar Heroes tocar.
É uma música foda. E, sinceramente, todo mundo deveria ouvir.


Considerações nada festivas sobre viradas de ano, falsas promessas e leões persistentes

Continuo não gostando dessa época natalina e de viradas de ano.
Essa ideia de que um novo ano começa trazendo boas novas, novas etapas, novas versões de nós mesmos, não faz o menor sentido pra mim.
É um dia como qualquer outro.
Nada de especial. O despertador toca do mesmo jeito, lembrando que não existe festa quando se tem que correr atrás de tudo.

Os tais leões ainda andam à solta, esperando a luta. Dia após dia.
De que adianta matar um leão por dia se as coisas não andam?
No fim, isso só serve pra levar o pobre coitado à extinção.
Se apegar à esperança de que coisas boas virão é, muitas vezes, perda de tempo.
Como Red disse a Dufresne: “a esperança pode deixar um homem louco”.
Não digo que ninguém deva abandonar a esperança, só não se agarrar a ela como se fosse salvação.
Enquanto as pessoas se divertem nessas datas, sentindo uma felicidade provisória e passageira, coisas ruins continuam acontecendo. Basta ligar a TV ou ler os jornais.
Mas é mais fácil se desligar entre bebida e comida. O ano novo será diferente. Tudo vai melhorar. Talvez.

E eu, sozinho no apartamento, ao som de Clear Day, da Hope Sandoval, tento descansar um pouco. Porque na segunda-feira tudo começa de novo.
E o ano novo é só mais um dia pra mim.

Sem novidades.

Sem falsas esperanças.

Apenas mais um leão na porta, 
esperando pra sair no braço comigo.

* Red e Dufresne: Personagens do filme Um sonho de liberdade.


28/10/2025

Entre o silêncio do apartamento e as memórias que insistem em voltar

Ritchie já dizia em Vôo de coração: " Mas eu só, no apartamento, escrevendo
memórias em um velho computador"
Percebí que faz muito tempo que não faço isso
estar em meu apartamento, escrevendo minhas memórias.
Muita coisa aconteceu nesse tempo
algumas não quero deixar no papel
mas outras, talvez
Preciso pensar, entender o motivo que parei
Tenho tempo
É o que mais tenho

Enquanto todo mundo finge que domingo é de “Good Vibes”, eu fico na cozinha com cerveja, música triste e a segunda-feira rindo da minha cara

Enquanto todo mundo termina o domingo dançando e fingindo que é “Good Vibes”, eu fico aqui lembrando que domingo é só um dia perdido. 
 Aquele dia que promete muito e não entrega nada. 
Você planeja, se anima, e ele some, rindo da sua cara. 
Coisa minha… e azar de quem espera algo dele. 
Minha senhora deitada na cama, a cabritinha arrancando os pelos das pernas, e eu aqui na cozinha, preparando o jantar. 
Entre uma cerveja e outra, Hope Sandoval toca baixinho , 
porque só música triste combina com domingo. 
Amanhã é segunda. 
E o ciclo de ilusão recomeça.

Nada na TV, tudo na memória

 


O controle da TV não me ajudou a encontrar algo bom pra ver 
Minhas gatas dormem sem preocupação alguma 
Sentado no sofá, vejo velhas fotografias Elas mostram algo que já passou e não volta mais 
Não há muito o que fazer 
Abro mais uma cerveja 
Na caixa de som, Axl Rose começa a cantar Yesterdays 
Enfim Sábado à noite 
É isso



21/04/2019

20 de abril de 2019



Sábado à noite, sozinho em casa
uma boa oportunidade para escrever
Abri a geladeira e peguei uma cerveja
liguei o notebook , me preparei.

Minha gata chegou miando
pulou no sofá e deitou no meu colo.
Coloquei o notebook do lado
e fiquei acariciando seu pescoço.

Enquanto Club 8 tocava na playlist
bebia minha cerveja e 
a gata dormia no colo.
Pelo menos por enquanto
não conseguirei escrever.



13/04/2019

Escreva para não enlouquecer




sobre o amor
as tragédias
as dores
as decepções
a tristeza
a solidão
a agonia
a morte.

as pessoas adoram
todas dão likes
todas compartilham.

e no fim
ninguém pergunta
como você 
está.


11/02/2019

São 17:09


A playlist das antigas rodando o dia todo
essa é a vantagem de se ter uma playlist longa
não precisa ficar mudando ou escolhendo
basta dar play e pronto.

Tinha programado algumas coisas pra hoje
não fiz nenhuma delas
foi até melhor
hoje é um daqueles dias que
prefiro ficar quieto sem nada a fazer

entre cervejas
flash backs e poemas do velho Bukowski
o dia está chegando ao fim

não há nada a fazer
a não ser
esperar amanhã
e
programar alguma
coisa.

29/10/2018

Euforia

Veja só, aquele cara tá parecendo um maluco pulando na praia.

Verdade, ele tá muito feliz.

No começo é assim mesmo. Observe

Está eufórico, correndo e pulando na água.

Depois, vai se jogar na areia

e ficar gesticulando como um maestro na 5ª de Bach

Vai deitar na areia

e ficar olhando para o nada

E finalmente,

quando a euforia for embora

e a realidade bater na sua porta

perceberá a merda que fez.

É sempre assim

Entendeu?

11/10/2018

Nada

Uma mulher chora 
uma garota chora 
um filho chora 
uma esposa chora 
um pai chora 
uma mãe chora 
lguém chora 
e ele apenas diz 
Não posso fazer nada.

29/09/2018

Tempos difíceis

 O país passa por tempos difíceis e o ódio vem dominando as pessoas.

O que mais tenho visto, são discursos de ódio, briga de classes e pessoas se sentindo e dizendo serem melhores que as outras.

Nesse período pós Impeachment, o país entrou em desespero, ou na minha opinião, fez com que pessoas revelassem seu verdadeiro eu.

O colapso moral e ético, onde a ignorância predomina sobre o bom senso, vemos um presidenciável ser preso de forma estranha

enquanto outro prova de seu próprio discurso venenoso e é esfaqueado.

Vivemos um tempo em que, para conhecer o caráter de alguém, basta discordar de suas ideias e opiniões.

Algumas pessoas se escondem em nicknames e assim, distribuem seu ódio, suas frustrações e suas intolerâncias contra tudo e contra todos. Já outras, nem se dão o trabalho de inventar um nome, pois querem deixar bem claro quem realmente são.

Interpretar o que foi dito ou escrito para depois opinar já não faz parte do processo. O que vale, é pegar uma notinha de rodapé, um fragmento de um texto ou apenas um título do noticiário, distorcer, injetar veneno e distribuir orgulhosamente nas redes (anti) sociais.

É triste perceber que a geração que é conectada, que veio para mudar o rumo das coisas para melhor, infelizmente está impregnada e carrega consigo os mesmos erros da minha geração e da geração anterior.

Muitos realmente fazem a diferença, mas a grande maioria, não se dá ao trabalho de analisar os erros e fazer a diferença. Se acomodaram em seu mundinho dentro do smartphone, onde tudo está ao alcance dos dedos, inclusive, a opção de continuar cometendo os mesmos erros.

Os tempos difíceis não acabarão em breve, ele está apenas começando. As pessoas continuarão o combate nesse campeonato que acontece a cada 2 anos. E as redes (anti) sociais, se tornam um octógono, e vence, aquele que bate mais, sem piedade.


25/09/2018

É engraçado quando as pessoas dizem

Que, por não ter filhos, não entendo certas coisas.
Bem, existem coisas que posso não saber, mas por outro lado, existem coisas que não
precisamos ser graduados em paternidade pra saber que é certo ou errado.

Perdi a conta de quantas vezes ouvi a seguinte frase: "No dia que você tiver um filho, você vai saber".
No início, me sentia péssimo ao ouvir isso, mas hoje, não ligo mais.
Ensinei meu cérebro a filtrar isso. E foi bem melhor assim.
Ás vezes fico chateado, mas não como antes.
Não nego uma certa "alegria" quando me pedem ajuda.
Seria algo como uma pequena "vingança", ou seja, você não me ouve, mas quando a situação aperta se lembra de mim.

Aprendi que o melhor é ficar calado e deixar as pessoas quebrarem a cara por conta própria.
Se elas não assumem que podem estar erradas em determinadas situações, não serei eu a mostrar.
Prefiro ficar aqui, esperando aquela deliciosa sensação de ouvir o pedido de ajuda.
Sim, podem me julgar, mas gosto desse meu lado "vingativo".
E a vida vai seguindo sem maiores problemas.

23/08/2018

23 de Agosto de 2018


Mais um dia puxado, muitas coisas pra fazer e outras que ficaram pra amanhã.
Dentro do ônibus a caminho de casa, não quis ouvir música, preferi continuar lendo Os diários de Kerouac.
O calor e as conversas alheias atrapalhavam um pouco a leitura. Tentei me concentrar mas estava difícil.
Deveria ter colocado os fones, apenas para abafar o ruído.
Desisti da leitura e fiquei olhando o caminho pela janela do ônibus.
Observava pessoas bebendo em bares, outras caminhando para suas casas e outras parecendo zumbis, com seus smartphones iluminando o rosto enquanto caminham sem perceber nada ao seu redor. 
Cheguei no terminal e fiquei esperando o terceiro ônibus. Sim, infelizmente esse que aqui escreve, precisa pegar 3 ônibus para ir e voltar para casa, dia após dia.
Já no ônibus, 3 adolescentes riem alto, batem palmas e conversam banalidades.
Parecia que estavam em alguma festa. Não se importavam com nada, e com ninguém.
Nesse mundinho que ainda fede a fralda molhada, eles seguiam ruidosos.
Desejo que meu ponto de parada chegue logo. 
Estou ficando velho, e esses adolescentes andam muito chatos.

22/08/2018

22 de Agosto de 2018


Tenho pensado em escrever de fato um livro. Tenho em mente que ainda não sou capaz de criar uma história fantástica, digna de ser um Best Seller ou algo parecido. Talvez um livro de crônicas ou como dizem, histórias curtas. 
Ainda não sei, mas tenho em mente que irei por esse caminho. Crônicas a meu ver são mais fáceis de escrever e é o tipo de leitura que gosto e tenho lido bastante. Sem contar que o velho Bukowski é o rei das pequenas histórias, e não vou negar que isso tem me inspirado.
Quero algo novo e diferente dos meus textos anteriores, que são bem pessoais e que não pretendo publicar. Mas essas crônicas, publicarei em meu blog e talvez enviar para alguns amigos.
Assim como Kerouac fez em seus diários, irei registrando aqui a evolução (ou não) desse provável/indefinido livro de crônicas.
Preciso de um nome e um personagem para ele.
E logo no início, já estou empacado.