19/04/2026
Cheiro de Melancia e Saudade
17/04/2026
Nota sobre meu editor de textos
12/04/2026
Nada em um domingo qualquer
Tem épocas que consigo escrever, ou melhor, as coisas simplesmente saem da cabeça
e vêm pra tela do computador.
Às vezes, penso que é por causa da minha vida:
não tem absolutamente nada de interessante.
Nada que faça alguém querer ler.
Ou talvez
eu só seja rabugento demais
e ache tudo uma merda.
A tela insiste em ficar em branco.
Penso um monte de coisas
e nada acontece.
Ela fica me olhando como se dissesse:
“Você é um idiota que não sabe o que escrever.”
Só a minha sogra me chama de idiota.
E eu respeito.
Aceito.
Agora, uma tela de computador?
Aí já é o fim da picada, né?
A lâmpada do meu quarto estava ruim.
Troquei por outra.
Ficou a mesma porcaria.
Provavelmente, nem pra comprar uma lâmpada decente eu sirvo.
Lembrei da minha sogra.
Da frase dela:
“Como alguém pode ser feliz
se até a lâmpada do quarto não presta?”
A cerveja que abri meia hora atrás estava na estante, me olhando.
Já não estava mais gelada.
Bebi assim mesmo.
Não vou jogar fora três reais e noventa e oito centavos.
Dolores subiu na cama.
Levantou a pata traseira, como se estivesse fazendo yoga,
e começou a lamber a bunda.
Acendi um cigarro e fiquei assistindo.
Três ou quatro lambidas.
Uma pausa olhando pro nada.
Depois voltava.
Trabalho sério.
Com a bunda devidamente limpa,
deitou
e dormiu.
Amanhã, às cinco da manhã,
ela me acorda pra comer.
Vejo uma notificação no telefone.
Duas horas atrás.
A Defesa Civil alertava sobre chuva forte.
A chuva não veio.
Pelo visto, até ela anda
sem saco pra fazer alguma coisa.
E, no fim das contas,
olha só,
a tela não ficou
em branco
08/03/2026
O urubú voa, a gata dorme, eu continuo aqui
A tela do editor insiste em ficar em branco.
Às vezes, ou talvez sempre, é difícil colocar no papel aquilo que passa pela cabeça.
Pela janela, observo um urubú voando em círculos num céu levemente nublado.
Fico imaginando o que ele pensa. Será que pensa alguma coisa?
Ou também fica entediado, como eu neste final de domingo?
Dolores acordou.
Se esfregou na minha perna e foi direto para a caixa de areia fazer o que precisava.
Depois dos afazeres fisiológicos, voltou, subiu na poltrona e dormiu.
Não sei se a vida de gato é simples demais ou apenas monótona.
Talvez nunca saibamos.
Queria ter a facilidade que muita gente tem de escrever exatamente o que sente.
Mas cheguei à conclusão de que, na minha cabeça, as coisas são mais claras.
Ouço o carro da pamonha passando na avenida ao lado.
Como sempre, ele já vendeu quase tudo.
É uma boa estratégia de vendas: sempre dizer que está acabando.
Olho novamente pela janela e vejo que o urubú desistiu de voar em círculos.
Na poltrona, Dolores dorme de barriga para cima.
No player, The Cure toca Pictures of You.
E eu continuo aqui, sentado na cadeira, tentando escrever alguma coisa.
No fim das contas, talvez escrever seja exatamente isso:
ficar olhando a vida passar pela janela
até que alguma frase resolva pousar.
01/01/2026
Enquanto o mundo explode em fogos lá fora, eu fico aqui dentro, ouvindo Ocean Rain e fingindo que o tempo não está recomeçando
Fico aqui, encostado na janela, observando os clarões enquanto Echo & The Bunnymen gira no player.
Ocean Rain é um disco grande, desses que combinam com silêncio, pensamento solto e uma certa melancolia bem aceita.
Descobri uma versão alternativa de The Killing Moon que eu não conhecia.
Funciona perfeitamente como trilha sonora pra beber uma cerveja sem pressa, deixando o tempo passar.
O ano novo começou.
Nada de épico: é só mais um dia. Um novo dia.
Mas, gostando ou não, tudo recomeça.
Absolutamente tudo.
Enquanto eles cantam We Are the Champions, eu bebo outra cerveja e espero que as luzes de Natal queimem
Uma mulher ri igual à hiena do Rei Leão, enquanto um sujeito berra We Are the Champions no karaokê.
Freddie Mercury deve estar se revirando no túmulo, de puro pavor.
Não condeno os vizinhos. Eles têm todo o direito de fazer a virada do jeito que quiserem.
Eu é que sou ranzinza mesmo.
The Killing Moon, do Echo & The Bunnymen, toca no meu computador e eu lembro do Buenas.
Li o último livro dele, Tracks, e já saí com uma lista nova de artistas pra conhecer.
Essa é a vantagem de ler alguém que gosta de música e sabe escrever.
Tenho os três livros devidamente autografados. E isso, por algum motivo, me deixa genuinamente feliz.
Um dia, quem sabe, publico minhas coisas também.
Mas é só um quem sabe.
Um desses que a gente guarda sem muita fé, pra não estragar.
A visita da vizinha continua rindo feito hiena.
E eu abro outra cerveja.
Fico deitado, ouvindo música, olhando pela janela, torcendo pra que as luzes de Natal entrem em curto-circuito e queimem de vez.
Happy New Year.
O Mundo estoura em fogos e eu continuo tentando escrever alguma Coisa
Mas a tela do editor continua ali, aberta, me encarando como quem pergunta: e aí, vai escrever essa merda ou não?
Na janela, minha gata está estirada, de barriga cheia, observando as senhorinhas conversando lá embaixo. As resoluções delas parecem as mesmas de sempre: cuidar da vida alheia enquanto as próprias seguem vazias.
As luzes de Natal insistem em refletir no vidro. Por que não desligam essa merda? Natal já passou e ninguém liga pra elas. Muito menos eu.
Sinto que a noite vai ser longa. Ainda tem os malditos fogos e essa insônia que resolveu me acompanhar nos últimos dias.
Gosto de ficar sozinho, nunca tive problema com isso. Mas em certas épocas do ano, preferia não estar.
A mente não para. Os pensamentos aparecem sem pedir licença e ficam cutucando. Não estou deprimido, só irritado por não conseguir colocar essa merda no papel.
Às vezes me pergunto como Bukowski conseguia. Com aquela vida toda torta e ainda assim botava tudo pra fora, sem pedir desculpa.
A tela segue em branco enquanto As The World Falls Down, do David Bowie, toca no player.
Ele canta algo sobre amar alguém mesmo sabendo que tudo pode ir pro ralo e, ainda assim, insistir.
Queria ter conhecido Bowie. O cara era foda. Um dia ainda escrevo como ele. Mesmo que ninguém leia.
A tela continua me olhando.
Minha gata cansou das velhas e foi dormir na cama.
As luzes não vão sumir da janela. Os fogos já começaram.
Vou pegar outra cerveja e deixar Heroes tocar.
É uma música foda. E, sinceramente, todo mundo deveria ouvir.
Considerações nada festivas sobre viradas de ano, falsas promessas e leões persistentes
Essa ideia de que um novo ano começa trazendo boas novas, novas etapas, novas versões de nós mesmos, não faz o menor sentido pra mim.
É um dia como qualquer outro.
Nada de especial. O despertador toca do mesmo jeito, lembrando que não existe festa quando se tem que correr atrás de tudo.
Os tais leões ainda andam à solta, esperando a luta. Dia após dia.
De que adianta matar um leão por dia se as coisas não andam?
No fim, isso só serve pra levar o pobre coitado à extinção.
Se apegar à esperança de que coisas boas virão é, muitas vezes, perda de tempo.
Como Red disse a Dufresne: “a esperança pode deixar um homem louco”.
Não digo que ninguém deva abandonar a esperança, só não se agarrar a ela como se fosse salvação.
Enquanto as pessoas se divertem nessas datas, sentindo uma felicidade provisória e passageira, coisas ruins continuam acontecendo. Basta ligar a TV ou ler os jornais.
Mas é mais fácil se desligar entre bebida e comida. O ano novo será diferente. Tudo vai melhorar. Talvez.
Sem falsas esperanças.
Apenas mais um leão na porta,
* Red e Dufresne: Personagens do filme Um sonho de liberdade.
28/10/2025
Entre o silêncio do apartamento e as memórias que insistem em voltar
memórias em um velho computador"
Percebí que faz muito tempo que não faço isso
estar em meu apartamento, escrevendo minhas memórias.
Muita coisa aconteceu nesse tempo
algumas não quero deixar no papel
mas outras, talvez
Preciso pensar, entender o motivo que parei
Tenho tempo
É o que mais tenho
Enquanto todo mundo finge que domingo é de “Good Vibes”, eu fico na cozinha com cerveja, música triste e a segunda-feira rindo da minha cara
Nada na TV, tudo na memória
Minhas gatas dormem sem preocupação alguma
Sentado no sofá, vejo velhas fotografias Elas mostram algo que já passou e não volta mais
Não há muito o que fazer
Abro mais uma cerveja
Na caixa de som, Axl Rose começa a cantar Yesterdays
Enfim Sábado à noite
É isso
21/04/2019
20 de abril de 2019
13/04/2019
Escreva para não enlouquecer
11/02/2019
São 17:09
A playlist das antigas rodando o dia todo
essa é a vantagem de se ter uma playlist longa
não precisa ficar mudando ou escolhendo
basta dar play e pronto.
Tinha programado algumas coisas pra hoje
não fiz nenhuma delas
foi até melhor
hoje é um daqueles dias que
prefiro ficar quieto sem nada a fazer
entre cervejas
flash backs e poemas do velho Bukowski
o dia está chegando ao fim
não há nada a fazer
a não ser
esperar amanhã
e
programar alguma
coisa.
29/10/2018
Euforia
Veja só, aquele cara tá parecendo um maluco pulando na praia.
Verdade, ele tá muito feliz.
No começo é assim mesmo. Observe
Está eufórico, correndo e pulando na água.
Depois, vai se jogar na areia
e ficar gesticulando como um maestro na 5ª de Bach
Vai deitar na areia
e ficar olhando para o nada
E finalmente,
quando a euforia for embora
e a realidade bater na sua porta
perceberá a merda que fez.
É sempre assim
Entendeu?
11/10/2018
Nada
29/09/2018
Tempos difíceis
O país passa por tempos difíceis e o ódio vem dominando as pessoas.
O que mais tenho visto, são discursos de ódio, briga de classes e pessoas se sentindo e dizendo serem melhores que as outras.
Nesse período pós Impeachment, o país entrou em desespero, ou na minha opinião, fez com que pessoas revelassem seu verdadeiro eu.
O colapso moral e ético, onde a ignorância predomina sobre o bom senso, vemos um presidenciável ser preso de forma estranha
enquanto outro prova de seu próprio discurso venenoso e é esfaqueado.
Vivemos um tempo em que, para conhecer o caráter de alguém, basta discordar de suas ideias e opiniões.
Algumas pessoas se escondem em nicknames e assim, distribuem seu ódio, suas frustrações e suas intolerâncias contra tudo e contra todos. Já outras, nem se dão o trabalho de inventar um nome, pois querem deixar bem claro quem realmente são.
Interpretar o que foi dito ou escrito para depois opinar já não faz parte do processo. O que vale, é pegar uma notinha de rodapé, um fragmento de um texto ou apenas um título do noticiário, distorcer, injetar veneno e distribuir orgulhosamente nas redes (anti) sociais.
É triste perceber que a geração que é conectada, que veio para mudar o rumo das coisas para melhor, infelizmente está impregnada e carrega consigo os mesmos erros da minha geração e da geração anterior.
Muitos realmente fazem a diferença, mas a grande maioria, não se dá ao trabalho de analisar os erros e fazer a diferença. Se acomodaram em seu mundinho dentro do smartphone, onde tudo está ao alcance dos dedos, inclusive, a opção de continuar cometendo os mesmos erros.
Os tempos difíceis não acabarão em breve, ele está apenas começando. As pessoas continuarão o combate nesse campeonato que acontece a cada 2 anos. E as redes (anti) sociais, se tornam um octógono, e vence, aquele que bate mais, sem piedade.
25/09/2018
É engraçado quando as pessoas dizem
Bem, existem coisas que posso não saber, mas por outro lado, existem coisas que não
precisamos ser graduados em paternidade pra saber que é certo ou errado.
Perdi a conta de quantas vezes ouvi a seguinte frase: "No dia que você tiver um filho, você vai saber".
No início, me sentia péssimo ao ouvir isso, mas hoje, não ligo mais.
Ensinei meu cérebro a filtrar isso. E foi bem melhor assim.
Ás vezes fico chateado, mas não como antes.
Não nego uma certa "alegria" quando me pedem ajuda.
Seria algo como uma pequena "vingança", ou seja, você não me ouve, mas quando a situação aperta se lembra de mim.
Aprendi que o melhor é ficar calado e deixar as pessoas quebrarem a cara por conta própria.
Se elas não assumem que podem estar erradas em determinadas situações, não serei eu a mostrar.
Prefiro ficar aqui, esperando aquela deliciosa sensação de ouvir o pedido de ajuda.
Sim, podem me julgar, mas gosto desse meu lado "vingativo".
E a vida vai seguindo sem maiores problemas.

