Relendo meus textos, percebi que fico muito tempo sem escrever coisa alguma.
Tem épocas que consigo escrever, ou melhor, as coisas simplesmente saem da cabeça
e vêm pra tela do computador.
Às vezes, penso que é por causa da minha vida:
não tem absolutamente nada de interessante.
Nada que faça alguém querer ler.
Ou talvez
eu só seja rabugento demais
e ache tudo uma merda.
Tem épocas que consigo escrever, ou melhor, as coisas simplesmente saem da cabeça
e vêm pra tela do computador.
Às vezes, penso que é por causa da minha vida:
não tem absolutamente nada de interessante.
Nada que faça alguém querer ler.
Ou talvez
eu só seja rabugento demais
e ache tudo uma merda.
A tela insiste em ficar em branco.
Penso um monte de coisas
e nada acontece.
Ela fica me olhando como se dissesse:
“Você é um idiota que não sabe o que escrever.”
Só a minha sogra me chama de idiota.
E eu respeito.
Aceito.
Agora, uma tela de computador?
Aí já é o fim da picada, né?
A lâmpada do meu quarto estava ruim.
Troquei por outra.
Ficou a mesma porcaria.
Provavelmente, nem pra comprar uma lâmpada decente eu sirvo.
Lembrei da minha sogra.
Da frase dela:
“Como alguém pode ser feliz
se até a lâmpada do quarto não presta?”
A cerveja que abri meia hora atrás estava na estante, me olhando.
Já não estava mais gelada.
Bebi assim mesmo.
Não vou jogar fora três reais e noventa e oito centavos.
Dolores subiu na cama.
Levantou a pata traseira, como se estivesse fazendo yoga,
e começou a lamber a bunda.
Acendi um cigarro e fiquei assistindo.
Três ou quatro lambidas.
Uma pausa olhando pro nada.
Depois voltava.
Trabalho sério.
Com a bunda devidamente limpa,
deitou
e dormiu.
Amanhã, às cinco da manhã,
ela me acorda pra comer.
Vejo uma notificação no telefone.
Duas horas atrás.
A Defesa Civil alertava sobre chuva forte.
A chuva não veio.
Pelo visto, até ela anda
sem saco pra fazer alguma coisa.
E, no fim das contas,
olha só,
a tela não ficou
em branco

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