28/10/2025
A música do avião ainda toca, e eu continuo parando pra ouvir
Entre o silêncio do apartamento e as memórias que insistem em voltar
memórias em um velho computador"
Percebí que faz muito tempo que não faço isso
estar em meu apartamento, escrevendo minhas memórias.
Muita coisa aconteceu nesse tempo
algumas não quero deixar no papel
mas outras, talvez
Preciso pensar, entender o motivo que parei
Tenho tempo
É o que mais tenho
Quando a música girava devagar e a vida não precisava de tanta pressa
Eu me vejo naquele quarto, meu canto de sossego, com meus poucos discos de vinil e fitas K7 e não essa bagunça digital de hoje que ninguém dá valor.
Tinha dias em que eu só deitava e deixava a música rodar, sem notificações apitando.
Em outras noites, uma cerveja gelada e um Hollywood pra acompanhar o pensamento.
Coisa simples, direta, sem frescura.
Era outro tempo.
As preocupações tinham mais sentido, e os sentimentos não vinham exagerados como hoje. A vida andava no ritmo certo, sem essa pressa estúpida.
Simples, bom, e com aquele toque que faz a gente lembrar de sensações guardadas lá no fundo.
Suas canções têm esse poder discreto: acender memórias que o tempo tentou apagar, sem drama.
É alguém que recomendo ouvir.
No mínimo, ajuda a limpar os ouvidos da porcaria que anda por aí.
Da sorveteria apertada ao velho rádio dos anos 70: pequenas lembranças que o tempo não conseguiu derreter
Com 10 para 11 anos, arrumei meu primeiro emprego. Era numa sorveteria onde eu mal tinha altura para enxergar direito por cima do balcão. Ali conheci muita gente boa, e quase sempre aparecia alguém para jogar conversa fora enquanto esperava o pedido.
Uma das melhores coisas daquele lugar era um rádio dos anos 70, sempre ligado, deixando o ambiente mais vivo. Foi nele que ouvi Every Beat of My Heart pela primeira vez, e, de lá pra cá, a música nunca me deixou.
Quando o patrão não estava, eu dava um jeitinho de pegar o telefone e ligar na rádio para pedir a canção. Era minha pequena missão secreta.
E aí… quase quarenta anos se passaram desde aqueles dias.
Ainda bem que certas lembranças ficam.
E é sempre bom revisitá-las.
Sobre a amiga que partiu e volta toda vez que Annie Lennox começa a cantar
São amizades que nos brindam com risadas sinceras, bons conselhos e companhias que fazem falta até no silêncio.
Amigos assim estão se tornando raridade.
E quando vão embora, o que sobra é a saudade e a lembrança dos momentos que tivemos a sorte de viver.
Hoje, senti falta de uma grande amiga que já partiu.
Sempre que ouço Annie Lennox, é impossível não lembrar o quanto essa pessoa foi especial e continuará sendo para mim.
O que realmente pesa é saber que nunca tive a chance de dar um abraço nela e dizer, sem rodeios, o quanto eu gostava da sua amizade.
Algumas pessoas se vão…
Mas ficam para sempre.
Enquanto todo mundo finge que domingo é de “Good Vibes”, eu fico na cozinha com cerveja, música triste e a segunda-feira rindo da minha cara
Com a bolsa velha e Bee Gees tocando, parti sem saber se devia ficar
Nada na TV, tudo na memória
Minhas gatas dormem sem preocupação alguma
Sentado no sofá, vejo velhas fotografias Elas mostram algo que já passou e não volta mais
Não há muito o que fazer
Abro mais uma cerveja
Na caixa de som, Axl Rose começa a cantar Yesterdays
Enfim Sábado à noite
É isso
1987, Joe Cocker no rádio e lembranças no quartinho
Às vezes a música vinha normal, outras vezes, na madrugada, ela surgia em modo “som sobre som”, ecoando pelo quarto e me embalando.





