No início de 1999, arrumei minhas coisas e saí de casa em busca de algo que nem eu sabia direito.
Com uma bolsa velha carregando grande parte da minha vida, fui até o quintal e chamei minha mãe para me despedir.
Ela devia querer me pedir para ficar, mas ficou firme.
Desejou que eu ficasse bem e me deu suas bênçãos silenciosas.
Sei que sentiu tristeza ao me ver partir, mas entendeu minha ansiedade de conhecer o mundo e viver minha própria vida.
Lembro como se fosse ontem: eram 11:30 da manhã de uma terça-feira. Fechei o portão e segui em direção à rodoviária, deixando minha mãe sozinha em casa.
Não sei o que teria acontecido se eu tivesse ficado, se a vida tivesse tomado outro rumo.
A única coisa que permanece viva na memória é vê-la me olhando ir embora, enquanto no rádio tocava “For Whom the Bell Tolls”, do Bee Gees.
Se eu devia ter ficado ou partido, jamais saberei.
Depois de tantos anos, a resposta já não faria diferença.
Estou aqui.
Mamãe se foi.
E, com isso, a resposta também.

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