24/05/2026

Sou um amigo ausente, mas não estranhe

 Sou um amigo ausente, mas não estranhe

Não mando mensagens ou ligo diariamente
Não fico perguntando como você está
Não fico querendo saber o que você tem feito

Sou um amigo ausente, mas não estranhe
Não faço visitas com frequencia
Não aceito convites de festas com frequencia
Não recebo visitas com frequencia

Sou um amigo ausente, mas não estranhe
Aprendi e decidi viver na solitude
Aprendi e decidi viver quieto
Aprendi e decidi viver distante

Sou um amigo ausente, mas não estranhe
Decidi sentir saudade
Decidi mandar um olá apenas 
quando a saudade apertar
Decidi te dar espaço
e deixar você sentir saudade

Sou um amigo ausente, mas não estranhe
Me importo de verdade com você
Suas conquistas me deixam feliz
Sua existencia, me faz feliz

Sou um amigo ausente, mas não estranhe
Posso sumir, posso não ficar visivel aos seus olhos
Mas estarei com você, quando a vida apertar
Oferecendo meu ombro, ou uma palavra de conforto
Estarei com você, sempre que precisar

Sou um amigo ausente, mas não estranhe
Não me julgue
Apenas, me entenda

19/04/2026

Cheiro de Melancia e Saudade

Depois do empurra-empurra habitual, consegui um assento vago no coletivo. Uma senhora, aparentemente mal-humorada, sentou ao meu lado. 
Nada mal, eu também estava mal-humorado. E dois mal-humorados não costumam se dar muito bem. Pela janela, as ruas escorriam: carros apressados, buzinas, gente afundada nos próprios celulares. 
Eu pensava no que tinha feito, no que poderia ter feito… e no peso de um dia longo, sem nada que prestasse de verdade. 
Então veio o toque no ombro. 
Leve. Perfumado. 
Aquele cheiro suave de melancia que, por um tempo, fez parte dos meus dias. 
Virei o rosto e sorri. 
Era ela. 
A menina miúda. A cabritinha que tanto me fez feliz. 
Estava ali, ao meu lado, com um abraço cheio de calor e verdade. 
É fácil reconhecer um abraço verdadeiro.
E aquele era. 
A saudade vinha junto, no cheiro, no aperto, no silêncio entre uma palavra e outra. 
Eu não esperava por aquilo. Por aquele encontro. 
Ficamos ali, de mãos dadas, conversando baixo, trocando abraços como quem tenta segurar o tempo. Por alguns minutos, revi muita coisa boa. 
Senti falta. Das conversas. Do pão torrado levado até o sofá. 
Das risadas até das minhas piadas sem graça. 
E até de quando eu reclamava de qualquer bobagem da internet só pra ouvir ela rir. 
A parada chegou. 
Ela precisava descer. 
Antes, me deu mais um abraço longo, apertado, desses que dizem mais do que qualquer palavra. 
Disse que me amava. 
Eu disse que a amava. 
Fiquei olhando enquanto ela caminhava pela rua, seguindo a própria vida. 
E eu aqui, esperando… 
a chance de encontrá-la de novo, 
em algum outro dia.