Considerações nada festivas sobre viradas de ano, falsas promessas e leões persistentes

 Continuo não gostando dessa época natalina e de viradas de ano.

Essa ideia de que um novo ano começa trazendo boas novas, novas etapas, novas versões de nós mesmos, não faz o menor sentido pra mim.
É um dia como qualquer outro.
Nada de especial. O despertador toca do mesmo jeito, lembrando que não existe festa quando se tem que correr atrás de tudo.

Os tais leões ainda andam à solta, esperando a luta. Dia após dia.

De que adianta matar um leão por dia se as coisas não andam?
No fim, isso só serve pra levar o pobre coitado à extinção.

Se apegar à esperança de que coisas boas virão é, muitas vezes, perda de tempo.
Como Red disse a Dufresne: “a esperança pode deixar um homem louco”.
Não digo que ninguém deva abandonar a esperança — só não se agarrar a ela como se fosse salvação.

Enquanto as pessoas se divertem nessas datas, sentindo uma felicidade provisória e passageira, coisas ruins continuam acontecendo. Basta ligar a TV ou ler os jornais.
Mas é mais fácil se desligar entre bebida e comida. O ano novo será diferente. Tudo vai melhorar. Talvez.

E eu, sozinho no apartamento, ao som de Clear Day, da Hope Sandoval, tento descansar um pouco. Porque na segunda-feira tudo começa de novo.
E o ano novo é só mais um dia pra mim.

Sem novidades.
Sem falsas esperanças.
Apenas mais um leão na porta, esperando pra sair no braço comigo.

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