01/01/2026

Considerações nada festivas sobre viradas de ano, falsas promessas e leões persistentes

Continuo não gostando dessa época natalina e de viradas de ano.
Essa ideia de que um novo ano começa trazendo boas novas, novas etapas, novas versões de nós mesmos, não faz o menor sentido pra mim.
É um dia como qualquer outro.
Nada de especial. O despertador toca do mesmo jeito, lembrando que não existe festa quando se tem que correr atrás de tudo.

Os tais leões ainda andam à solta, esperando a luta. Dia após dia.
De que adianta matar um leão por dia se as coisas não andam?
No fim, isso só serve pra levar o pobre coitado à extinção.
Se apegar à esperança de que coisas boas virão é, muitas vezes, perda de tempo.
Como Red disse a Dufresne: “a esperança pode deixar um homem louco”.
Não digo que ninguém deva abandonar a esperança, só não se agarrar a ela como se fosse salvação.
Enquanto as pessoas se divertem nessas datas, sentindo uma felicidade provisória e passageira, coisas ruins continuam acontecendo. Basta ligar a TV ou ler os jornais.
Mas é mais fácil se desligar entre bebida e comida. O ano novo será diferente. Tudo vai melhorar. Talvez.

E eu, sozinho no apartamento, ao som de Clear Day, da Hope Sandoval, tento descansar um pouco. Porque na segunda-feira tudo começa de novo.
E o ano novo é só mais um dia pra mim.

Sem novidades.

Sem falsas esperanças.

Apenas mais um leão na porta, 
esperando pra sair no braço comigo.

* Red e Dufresne: Personagens do filme Um sonho de liberdade.


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