Uma amiga veio nos visitar, e eu resolvi fazer um bolo pra gente lanchar.
Ela perguntou:
— Bolo de quê?
Respondi que era de baunilha com queijo.
Ela então comentou, quase distraída, sobre bolo de café… e foi como se alguém tivesse acendido uma luz aqui dentro. Desde que me mudei pra Uberlândia, lá em 1999, nunca mais fiz um bolo de café.
E eu gostava tanto.
Pegava o café morno que sobrava na garrafa, aquele que já não servia pra encher xícara nenhuma, e transformava num bolo cheiroso, simples, honesto. Era quase um ritual doméstico: reaproveitar o que restava e devolver à casa um cheiro de aconchego.
Enquanto o bolo assava, fiquei pensando nas pequenas coisas que eu gostava de fazer e que, sem perceber, deixei pelo caminho. Hobbies silenciosos. Pequenos rituais. Prazeres que não pediam aplauso, só presença.
É curioso como a gente só se lembra dessas partes da gente quando alguém toca no assunto e desperta uma memória que estava quieta, esperando.
Quantas coisas a gente abandona sem notar?
Quantas versões nossas ficam pelo caminho?
Será que a vida é isso — um acúmulo de pressas que vai empurrando os detalhes pra escanteio?
Ou será que a gente simplesmente se perde nas aleatoriedades do dia a dia
e esquece que a felicidade, às vezes, tem cheiro de café e gosto de bolo recém-saído do forno.

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