A música do avião ainda toca, e eu continuo parando pra ouvir

 


Na minha infância, o rádio ligado era presença constante em casa.

A gente ouvia música o dia inteiro. Mamãe sempre teve esse costume, e eu carrego isso comigo até hoje — sem música, eu não sou ninguém.

No meio das brincadeiras, eu sempre prestava atenção quando tocava “a música do avião”.
O ano era 1985, e ela fazia um sucesso danado, tocava várias vezes por dia. E, toda vez, eu parava pra ouvir o avião.

De vez em quando, a gente precisa — mesmo já crescido — reencontrar aquela criança que ficou lá atrás, e que a vida adulta, cheia de preocupações, acaba deixando esquecida num canto.

Eram coisas simples, mas que marcaram fundo a nossa infância.

“Every Time You Go” tocou há pouco na minha playlist e, como sempre, parei pra ouvir o avião.

Lembranças, por mais simples que sejam, ainda são lembranças.
E faço questão de carregá-las comigo pelo resto da vida.

Porque uma pessoa sem lembranças… não é ninguém.

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Entre o silêncio do apartamento e as memórias que insistem em voltar

 


Ritchie já dizia em Vôo de coração: " Mas eu só, no apartamento, escrevendo

memórias em um velho computador"
Percebí que faz muito tempo que não faço isso
estar em meu apartamento, escrevendo minhas memórias.

Muita coisa aconteceu nesse tempo
algumas não quero deixar no papel
mas outras, talvez

Preciso pensar, entender o motivo que parei
Tenho tempo
É o que mais tenho
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Quando a música girava devagar e a vida não precisava de tanta pressa

 



De vez em quando me bate uma saudade teimosa do começo dos anos 1990.

Eu me vejo naquele quarto, meu canto de sossego, com meus poucos discos de vinil e fitas K7 — e não essa bagunça digital de hoje que ninguém dá valor.

Tinha dias em que eu só deitava e deixava a música rodar, sem notificações apitando.
Em outras noites, uma cerveja gelada e um Hollywood pra acompanhar o pensamento — coisa simples, direta, sem frescura.

Era outro tempo.

As preocupações tinham mais sentido, e os sentimentos não vinham exagerados como hoje. A vida andava no ritmo certo, sem essa pressa estúpida.

No meio dessa modernidade cheia de música descartável, Robbie Williams ainda consegue me puxar de volta praqueles dias.
O cara tem estilo. Não fica tentando impressionar com firula.
Simples, bom, e com aquele toque que faz a gente lembrar de sensações guardadas lá no fundo.

Suas canções têm esse poder discreto: acender memórias que o tempo tentou apagar — sem drama.

É alguém que recomendo ouvir.


No mínimo, ajuda a limpar os ouvidos da porcaria que anda por aí.


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Da sorveteria apertada ao velho rádio dos anos 70: pequenas lembranças que o tempo não conseguiu derreter

 

Com 10 para 11 anos, arrumei meu primeiro emprego. Era numa sorveteria onde eu mal tinha altura para enxergar direito por cima do balcão. Ali conheci muita gente boa, e quase sempre aparecia alguém para jogar conversa fora enquanto esperava o pedido.

Uma das melhores coisas daquele lugar era um rádio dos anos 70, sempre ligado, deixando o ambiente mais vivo. Foi nele que ouvi Every Beat of My Heart pela primeira vez — e, de lá pra cá, a música nunca me deixou.

Quando o patrão não estava, eu dava um jeitinho de pegar o telefone e ligar na rádio para pedir a canção. Era minha pequena missão secreta.

E aí… quase quarenta anos se passaram desde aqueles dias.
Ainda bem que certas lembranças ficam.
E é sempre bom revisitá-las.

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Sobre a amiga que partiu e volta toda vez que Annie Lennox começa a cantar

 



Existem pessoas que, quando passam pelas nossas vidas, deixam marcas difíceis de esquecer.
São amizades que nos brindam com risadas sinceras, bons conselhos e companhias que fazem falta até no silêncio.

Amigos assim estão se tornando raridade.
E quando vão embora, o que sobra é a saudade — e a lembrança dos momentos que tivemos a sorte de viver.

Hoje, senti falta de uma grande amiga que já partiu.
Sempre que ouço Annie Lennox, é impossível não lembrar o quanto essa pessoa foi especial — e continuará sendo — para mim.

O que realmente pesa é saber que nunca tive a chance de dar um abraço nela e dizer, sem rodeios, o quanto eu gostava da sua amizade.

Algumas pessoas se vão…
Mas ficam para sempre.

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Enquanto todo mundo finge que domingo é de “Good Vibes”, eu fico na cozinha com cerveja, música triste e a segunda-feira rindo da minha cara

 

Enquanto todo mundo termina o domingo dançando e fingindo que é “Good Vibes”, eu fico aqui lembrando que domingo é só um dia perdido.

Aquele dia que promete muito e não entrega nada.
Você planeja, se anima, e ele some, rindo da sua cara. Coisa minha… e azar de quem espera algo dele.

Minha senhora deitada na cama, a cabritinha arrancando os pelos das pernas, e eu aqui na cozinha, preparando o jantar.
Entre uma cerveja e outra, Hope Sandoval toca baixinho — porque só música triste combina com domingo.

Amanhã é segunda.
E o ciclo de ilusão recomeça.

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Com a bolsa velha e Bee Gees tocando, parti sem saber se devia ficar

 


No início de 1999, arrumei minhas coisas e saí de casa em busca de algo que nem eu sabia direito.

Com uma bolsa velha carregando grande parte da minha vida, fui até o quintal e chamei minha mãe para me despedir.

Ela devia querer me pedir para ficar, mas ficou firme.
Desejou que eu ficasse bem e me deu suas bênçãos silenciosas.
Sei que sentiu tristeza ao me ver partir, mas entendeu minha ansiedade de conhecer o mundo e viver minha própria vida.

Lembro como se fosse ontem: eram 11:30 da manhã de uma terça-feira. Fechei o portão e segui em direção à rodoviária, deixando minha mãe sozinha em casa.

Não sei o que teria acontecido se eu tivesse ficado, se a vida tivesse tomado outro rumo.
A única coisa que permanece viva na memória é vê-la me olhando ir embora, enquanto no rádio tocava “For Whom the Bell Tolls”, do Bee Gees.

Se eu devia ter ficado ou partido, jamais saberei.
Depois de tantos anos, a resposta já não faria diferença.

Estou aqui.
Mamãe se foi.
E, com isso, a resposta também.

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Nada na TV, tudo na memória

 


O controle da TV não me ajudou a encontrar algo bom pra ver 

Minhas gatas dormem sem preocupação alguma 
Sentado no sofá, vejo velhas fotografias Elas mostram algo que já passou e não volta mais 
Não há muito o que fazer 
Abro mais uma cerveja 
Na caixa de som, Axl Rose começa a cantar Yesterdays 
Enfim Sábado à noite 
É isso



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1987, Joe Cocker no rádio e lembranças no quartinho

 


Em 1987, nos mudamos de cidade e, por motivos que não vêm ao caso, ficamos hospedados na casa de um tio, numa cidade pequena.
A família se acomodou em dois quartos: um dentro da casa e outro nos fundos. Eu fiquei nos fundos, junto com minha mãe e dois irmãos.

Ainda era garoto, e tudo parecia novo e estranho ao mesmo tempo.
Ficamos pouco mais de dois meses ali, mas lembro claramente do quartinho apertado, e do pequeno rádio-relógio que tocava Joe Cocker repetidamente.

Às vezes a música vinha normal, outras vezes, na madrugada, ela surgia em modo “som sobre som”, ecoando pelo quarto e me embalando.

Foi um período complicado, sem dúvida, mas algumas coisas boas ficaram:
pequenas lembranças que hoje se transformaram em belas recordações.

Crônica criada em: 24/10/2025
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